Na esteira da globalização



DANIELLA BOTTINO
DO JORNAL DO COMMERCIO

Em um mundo globalizado onde o segundo idioma é praticamente obrigatório, cada vez mais pais colocam os filhos em escolas bilíngües ou em cursos de inglês. No entanto, as aulas de inglês, francês ou espanhol (os idiomas mais procurados) não começam com seis anos, época da alfabetização. Muito antes disso as crianças começam a freqüentar essas aulas. Pequenos de dois anos já recebem lições em duas línguas. A demanda crescente aquece esse mercado. Franquias como a da Maple Bear (escola bilíngüe), da The Kids Club (que atua dentro das escolas e também tem sedes próprias para os seus cursos) e da Learning Fun (curso de inglês e também presente dentro das escolas) começam a crescer e a ganhar número maior de alunos. Para abrir uma unidade de qualquer uma das três empresas, o investidor deve desembolsar valores que vão de R$ 17 mil a R$ 200 mil. O faturamento médio mensal pode chegar a R$ 20 mil.

No Brasil desde o ano passado, a rede de ensino Maple Bear, controlada por uma organização sem fins lucrativos canadense com o apoio do governo local, vê os frutos da globalização e das crescentes exigências do mercado de trabalho também chegarem ao Brasil. Com 10 franquias espalhadas por cidades como Macaé (estado do Rio), Sorocaba (interior de São Paulo), São Paulo, Aracaju, Recife e Fortaleza, a rede pretende abrir mais 10 unidades até o final de 2007, e ainda espalhar os conceitos da educação canadense por todo País.

Bebês fazem parte do público-alvo das redes
 Os alunos, que podem entrar com apenas poucos meses de vida e que devem sair com seis anos, agradecem. "Está provado cientificamente que é nessa fase que as crianças têm mais facilidade para aprender novas línguas. Elas absorvem tudo o que aprendem com mais facilidade", afirma Daniel Dip, gerente da Maple Bear, que em cada unidade tem grande área verde e salas de aula amplas, com espaços temáticos sobre cada matéria ensinada para os 200 alunos, em média, de cada unidade.

Dar espaço ao lúdico também é prioridade para as redes de curso de inglês Learning Fun, criada em 1997; e The Kids Club, de 1994. Materiais especiais e professores treinados fazem parte da rotina dos franqueados das redes de cursos de inglês para crianças. "Desenvolvemos metodologia especial para crianças. Atuamos nos nossos próprios cursos ou nas salas de aula das escolas que nos contratam. O professor, que deve falar obrigatoriamente inglês, assim como o franqueado, é treinado e deve trabalhar o universo das crianças, aquilo que elas gostam. Assim, elas aprendem a língua com prazer", explica Sylvia Palma, diretora e master franqueada no Brasil da The Kids Club, com sede na Inglaterra.

"Temos várias formas de atuar, algumas próprias, e outras que respeitam o currículo das escolas onde estamos presentes. Fazemos diferentes tipos de jogos e ainda brincamos com o vocabulário. As crianças aprendem muito rápido dessa forma", frisa José Carlos Rocha, gerente de expansão e franquia da Learning Fun, que pretende dobrar a sua rede de franquias (que tem 12 unidades) no próximo ano. Já os planos da The kids Club passam por crescimento de 20% no número de franquias até o final de 2007. Atualmente são 90 unidades em todas as regiões do Brasil.

Franqueada há três anos da Learning Fun, Lilia Parrini, já havia desistido do sonho de adquirir uma franquia de curso de inglês. Após muita procura pela internet e um período como professora da rede, ela decidiu adquirir uma unidade. "Tentei montar um curso de inglês duas vezes sem sucesso. Vi a Learning Fun e decidi experimentar. Me encantei com a metodologia e resolvi ter uma franquia. É fascinante ver as crianças pequenas falando inglês", esclarece.

Atendendo escolas da Zona Oeste do Rio de Janeiro, principalmente do bairro de Jacarepaguá, onde está localizada, Lilia só pensa em crescer: comprou uma sede própria e pretende aumentar o número de instituições clientes dos seus serviços. "Comprei um espaço que vai ser a minha sede e já estou visitando outras escolas em que posso implementar a metodologia do nosso curso. A educação bilíngüe é grande tendência do mercado", completa.

Dona de uma franquia há 10 anos da The Kids Club, Carla Mourão, de São Paulo, também vê essa tendência crescendo cada vez mais, mas dá uma dica para o empreendedor que quer começar um negócio desse estilo: "É muito importante ser da área pedagógica, ou ter algum sócio desse setor. Estar preparado é fundamental para o sucesso do negócio", ensina Carla, que tem o auxílio de uma coordenadora pedagógica na sua unidade.

Franqueado não precisa ser da área de educação
Ser ligado à área de educação não é pré-requisito para empreendedores interessados em abrir uma unidade da Maple Bear, da Learning Fun e da The Kids Club. Só na The Kids Club o franqueado deve ser fluente na língua inglesa. Nas outras, nem isso é necessário. Mas em todas a contratação de professores fluentes e o constante treinamento para a convivência com crianças numa idade tão tenra são fundamentais.

"Nossos profissionais são treinados com certa freqüência. Também pedimos que na coordenação educacional haja um profissional da área pedagógica", justifica José Carlos Rocha, da Learning Fun. Na Maple Bear, profissionais vindos diretamente do Canadá são os responsáveis pelo treinamento de professores e franqueados.

Treinamento que João Araújo, recém-chegado no mundo das franquias de ensino bilíngüe, vem conhecendo agora. "Só abrirei minha unidade em abril do próximo ano, mas tenho boas expectativas para o negócio. Minha escola terá quatro salas, cada uma com vagas para 20 alunos. Conheço muitos pais de crianças pequenas que querem dar aos seus filhos uma educação diferenciada", enfatiza. Aproveitar o boom do petróleo em Macaé (onde está localizada sua franquia), também foi outro motivo que levou Araújo a abrir o negócio.

"Tem muita gente se mudando para cá, alguns deles com crianças pequenas. É o momento certo e o lugar certo para começar um novo empreendimento", complementa Araújo, que poderia usar como exemplo a experiência de Vanesca Soares, dona de uma unidade da The Kids Club, há 10 anos. "Larguei o sonho de ser publicitária e comecei um novo projeto na minha vida: ser dona de uma franquia de educação. Hoje, sou a responsável pela educação de 120 crianças das mais diversas escolas daqui de Brasília. E, se tiver a oportunidade, posso abrir outra unidade", conclui.

Raio X

Learning Fun
Negócio: franquia de cursos de inglês para crianças
Investimento inicial: entre R$ 18 mil e R$ 97 mil
Taxa de franquia: entre R$ 10 mil e R$ 20 mil (já inclusa no investimento inicial)
Taxa de publicidade: 2% sobre compras de material dos alunos
Taxa de royalties: 10% sobre compras de material dos alunos
Faturamento médio mensal: R$ 15 mil
Tempo de retorno do investimento: entre 12 meses e 18 meses
Área: 100 metros quadrados
Número de funcionários: 10
Risco: médio. O mercado é muito concorrido, mas a marca é reconhecida. Uma recomendação para o franqueado é escolher bem o ponto comercial.

Maple Bear
Negócio: franquia de escolas bilíngües
Investimento inicial: a partir de R$ 200 mil
Taxa de franquia: R$ 106 mil (já inclusa no investimento inicial)
Taxa de publicidade: 2% sobre o faturamento bruto
Taxa de royalties: não cobram
Faturamento médio mensal: não divulga
Área: 500 metros quadrados
Nímero de funcionários: 5
Risco: alto. Porque apesar de ser uma empresa internacional, o custo dela é muito alto e a taxa inicial de franquia é alta para os padrões brasileiros.

The Kids Club
Negócio: franquia de cursos de inglês para crianças
Investimento inicial: entre R$ 17 mil e R$ 65 mil
Taxa de franquia: a partir de R$ 10 mil (já inclusa no investimento inicial)
Taxa de publicidade: não cobram
Taxa de royalties: 12,5% sobre o faturamento bruto
Faturamento médio mensal: entre R$ 4 mil e R$ 20 mil
Tempo de retorno do investimento: 12 a 24 meses
Área: aproximadamente 100 metros quadrados
Número de funcionários: a partir de 1
Risco: médio. O mercado é muito concorrido, mas a marca é reconhecida. Uma recomendação para o franqueado é escolher bem o ponto comercial.